Fuerteventura Fashion Week 2026: designers revelam as histórias por trás das coleções

Fuerteventura fashion Week


Na apresentação à imprensa, na manhã deste sábado, os criadores contaram de onde nasceram as propostas que sobem hoje à passarela ao ar livre: da cochonilha canária ao calado tradicional, das coleções cruise à catarse em cores.

Com vista para o mar, a sala do Hotel El Mirador de Fuerteventura se encheu de cores e de criatividade na manhã deste sábado, 17 de outubro. Às 10h30, a organização da Fuerteventura Fashion Week 2026 abriu oficialmente a 5ª edição com uma apresentação à imprensa, em que designers e organizadores falaram sobre o que o público vai ver a partir das 18h30, na passarela de 61 metros montada ao ar livre.

Oito marcas, oito histórias diferentes. Em comum, a vontade de transformar palavras, lugares e memórias em tecido.

Beatriz Peñalver: da exposição para a passarela

Beatriz Peñalver começou com uma confissão: a coleção que apresenta hoje não é, exatamente, uma coleção pensada para a passarela. O núcleo de Lux são cinco peças criadas originalmente para uma exposição em Sevilha, também chamada Lux, que acabou dando nome à coleção.

A essas cinco peças, de perfil mais próximo da alta-costura, a designer somou até 13 looks que mostram outras facetas do seu universo criativo, de vestidos para convidadas de cerimônia a propostas mais urbanas. “São estilismos que também nos definem”, explicou.

Marurí: a alquimia das cores naturais

Para Marurí, a coleção Alquimia nasce da natureza: das cores que ela oferece e de técnicas tradicionais que a designer considera essencial preservar e valorizar. O grande símbolo da proposta é a cochonilha, o corante natural tão característico das Canárias. “É algo muito nosso, que não pode cair no esquecimento”, afirmou.

Presença repetida no evento, Marurí agradeceu aos colegas por voltar a mais uma edição e definiu a Fashion Week como uma vitrine para mostrar “a beleza que a natureza nos dá através da cor”.

“A cochonilha, inseto que vive nos cactos e produz o carmim, corante vermelho que marcou a história econômica das Canárias”.

Mado Vigarok: a força da terra

Em sua terceira participação na Fuerteventura Fashion Week, Mado Vigarok, que no ano passado celebrou dez anos de marca, começou agradecendo às administrações públicas que apoiam o evento. “Às vezes, sem elas, nós, como marca, não conseguimos avançar”, disse.

A coleção Imperio parte da Grécia e da Roma antigas e de tudo o que nasceu da terra. A proposta é misturar essas referências clássicas com a força da terra, uma ideia que ganha outro sentido numa ilha vulcânica como Fuerteventura. Ao lado das referências históricas, a coleção aposta numa forte parte artesanal, com uma combinação intensa de materiais. “Queremos mostrar o valor que a nossa terra tem e a sua abertura para a diversidade”, resumiu.

FILST: catarse em cores

O criador da FILST preferiu não explicar demais a coleção Catarsis. “A melhor forma de entendê-la é vê-la esta tarde na passarela, e que cada um sinta as emoções que ela desperta”, disse.

A inspiração vem do engessamento da sociedade atual, da perda de cor e do esforço constante do dia a dia. A resposta é romper com tudo isso: imaginar o mundo pelo olhar de FILST, mais colorido, mais divertido e mais livre, em que cada um faz o que quer com a própria vida.

Oswaldo Machín: noivas, calado canário e Marrakech

Oswaldo Machín, especialista em moda nupcial, aproveitou a palavra para destacar o crescimento da passarela, construída edição após edição. E trouxe um dado que mostra o impacto do evento: segundo ele, quase 30% do faturamento da sua empresa já vem de noivos e noivas que viajam até Fuerteventura para comprar os seus trajes. Para o designer, isso prova a importância dessas plataformas para o comércio canário, sobretudo nas ilhas que não são capitais.

A coleção que desfila hoje faz parte da sua linha Bridal, em que quase todas as peças são feitas sob medida para a cliente final. Uma proposta limpa e simples, com o calado tradicional canário inserido nas peças e volumes que evocam as paisagens de Marrakech.

Pilar Dalbat: Fuerteventura como fonte de inspiração

A Pilar Dalbat decidiu criar uma coleção nova, desenvolvida exclusivamente para Fuerteventura. A ideia partiu de algo que as grandes casas de moda fazem há anos: as coleções cruise, pensadas para levar o verão a quem está prestes a entrar no inverno.

Como a marca trabalha muito em torno do patrimônio e do território, a ilha entrou não apenas como cenário, mas como ponto de partida. A coleção conecta dois territórios que parecem muito diferentes e que, no fim, segundo a equipe, se revelaram muito parecidos.

Paola Barreto: a história canária em movimento

Paola Barreto resumiu a filosofia da sua marca numa frase: unir o mundo atual às tradições. “Na passarela, vamos ver a nossa história canária viva”, disse. Cada proposta da coleção conta uma história e resgata o artesanato local, as técnicas manuais e os materiais que ajudaram a construir a identidade das ilhas.

Beatriz Hernández: o DNA no trabalho manual

Completa o line-up desta quinta edição Beatriz Hernández, com a coleção Angels. É daquelas coleções que se reconhecem à primeira vista: única, com uma assinatura muito própria e o DNA da designer em cada peça.

O que mais impressiona é o trabalho manual. Ele está nos detalhes, no acabamento e no cuidado com cada peça, e é impossível não reconhecê-lo. Num tempo de produção em série, é justamente esse fazer à mão que transforma roupa em peça de autor.

St. Pedro: “A luz viaja mais rápido do que o som”

O embaixador principal desta edição, o cantor canário St. Pedro, admitiu que é a primeira vez que participa de algo ligado ao mundo da moda, fora da zona de conforto da música. Contou que aprendeu com o seu estilista a importância do que se comunica ao vestir, e deixou a frase mais marcante da manhã:

“A roupa é a primeira coisa que chega aos olhos das pessoas. E a luz viaja mais rápido do que o som, então ela chega antes da música.”

Para o artista, quem sobe ao palco precisa transmitir a sua mensagem “com cada fibra do ser”, e a roupa é parte essencial dessa comunicação.

Hoje à noite, na passarela

Depois das palavras, chega a vez das roupas. Os desfiles começam às 18h30, em dois blocos, com o Kissing Room entre eles e a apresentação ao vivo de St. Pedro.

Foto de Katia Garrido

Katia Garrido

Fundadora e storyteller.
Foto de Katia Garrido

Katia Garrido

Fundadora e storyteller.

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