Collabs da Zara em 2026: de John Galliano a Marisa Berenson, a estratégia que aproxima a rede espanhola do luxo

A coleção de Galliano esgotou em duas horas. Antes dela, Willy Chavarria e Marisa Berenson já tinham assinado linhas para a marca. E duas dessas parcerias colocaram mulheres maduras no centro da cena.

Às 10h do dia 1º de outubro, a Zara colocou à venda a primeira coleção assinada por John Galliano. Duas horas depois, o estoque estava praticamente esgotado, e as reposições também sumiram rapidamente, segundo o jornal espanhol La Voz del Sur. O frenesi confirmou o que 2026 já vinha mostrando: as collabs da Zara deixaram de ser ações pontuais e se tornaram o centro da estratégia da maior rede de moda do mundo.

Em menos de um ano, a marca do grupo Inditex lançou parcerias com o americano Willy Chavarria, com o universo da atriz e modelo Marisa Berenson e com um dos estilistas mais celebrados, e mais controversos, da moda contemporânea. Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: levar a linguagem do luxo para as araras do varejo.

Zara por John Galliano: o arquivo da marca reinventado

A parceria com Galliano foi anunciada em março e prevê uma série de coleções sazonais por pelo menos dois anos. Marta Ortega, presidente da Inditex, já declarou publicamente que ele é o estilista que ela “sempre mais admirou”. Ex-diretor criativo da Givenchy, da Dior e da Maison Margiela, Galliano estreou na rede espanhola com a coleção Re(form), Vol. 1.

A proposta parte do próprio arquivo da Zara. Cada peça reinterpreta um item antigo da marca: um casaco virou vestido de tule com acabamento em pele sintética, uma camisa foi ampliada até ganhar ares de sobretudo e duas calças foram recortadas para formar uma só. A inspiração vem dos Incroyables e das Merveilleuses, os dândis e as divas de Paris depois da Revolução Francesa. A campanha foi fotografada por Steven Meisel.

Os preços acompanham a ambição. Na Espanha, os vestidos transparentes partem de 599 euros, as bolsas de couro custam 399 euros e os sapatos, 259 euros. As slip dresses ficam perto dos 100 euros. Mesmo assim, a coleção esgotou em poucas horas.

Willy Chavarria e Christy Turlington, aos 57 anos

Em março, a Zara lançou Vatísimo, coleção do estilista americano Willy Chavarria. O nome é um superlativo de “vato”, gíria chicana para amigos e pessoas queridas, e a linha fala de amizade, pertencimento e raízes. As referências vêm da moda dos imigrantes nos Estados Unidos, da infância do estilista numa família mexicano-americana em Fresno e do streetwear de Nova York, com alfaiataria dos anos 1950 e uma rosa bordada como assinatura.

A campanha, em formato de telenovela, foi dirigida por Glen Luchford e pelo próprio Chavarria. A protagonista é Christy Turlington, aos 57 anos, num triângulo amoroso que vira quadrilátero. “É sobre ter uma mensagem global, de humanidade, para pessoas de todos os países”, disse o estilista à Wallpaper.

The House of Marisa: o glamour dos anos 1970

Em junho, foi a vez de The House of Marisa, cápsula de 45 peças inspirada no universo de Marisa Berenson. Musa dos anos 1970, neta da estilista Elsa Schiaparelli e atriz de filmes como Cabaret e Barry Lyndon, ela emprestou à coleção o seu imaginário de glamour mediterrâneo, combinado a referências surrealistas de decoração. Lamê dourado e paetês marcaram as peças.

A escolha tem peso simbólico. Marisa Berenson, que completa 80 anos em 2027, continua sendo uma referência de estilo, e a Zara a colocou no centro de uma coleção pensada para mulheres de todas as idades.

A maturidade deixou de ser exceção nas campanhas e passou a ser argumento de venda.

Uma estratégia que vem de antes

A aproximação com o luxo não começou em 2026. Em 2024, a Zara lançou uma cápsula codesenhada com o italiano Stefano Pilati, com Gisele Bündchen na campanha fotografada por Steven Meisel, e uma coleção de festas com Kate Moss. A modelo britânica já havia estrelado campanhas e inspirado uma cápsula da marca.

O movimento ajuda a explicar o fôlego do grupo. A Inditex fechou o ano fiscal de 2025 com faturamento de 39,9 bilhões de euros.

O que as collabs da Zara revelam

Para a rede espanhola, as collabs funcionam em duas frentes: geram o burburinho que mantém a marca nas manchetes e aproximam a Zara de um público que busca design autoral sem pagar o preço de uma grife. Para os estilistas, é a chance de falar com milhões de pessoas em dezenas de países ao mesmo tempo.

E há um terceiro efeito, menos óbvio. Ao escalar Christy Turlington e Marisa Berenson como rostos de coleções, a Zara reconhece que a mulher madura não é apenas consumidora fiel, mas também referência de estilo. Num mercado que por décadas vendeu juventude, é um sinal de que a moda acessível começa, finalmente, a olhar para todas as idades.

Os próximos volumes da parceria com Galliano devem chegar ao longo dos próximos dois anos.

Foto de Katia Garrido

Katia Garrido

Fundadora e storyteller.
Foto de Katia Garrido

Katia Garrido

Fundadora e storyteller.

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