Quando você entra na sala para assistir ao desfile e não leu sequer uma palavra sobre o designer.
Essa atitude, certamente, tem dois lados; o lado ruim porque você não leva consigo a expectativa do que há de vir e, o lado bom que é quando você encontra uma tela em branco e deixa a sua percepção pintar as cores que ela quiser.
Por falar em cores… imaginem um desfile em 3 cores. Eu contei apenas 3 cores! No princípio um desfile monocromático, resumido no preto – ausência de cor – depois entrou o vermelho que grita com sua mais pura riqueza e, por último um azul calmante, raro e único em todos os sentidos.



O que falar de um espetáculo quase que sem cores?
Posso começar dizendo que aqui as cores não fizeram sequer falta nenhuma.
Quando a apresentação transcende o que os olhos sabem que vão assistir, o resultado é infinitamente engrandecedor.
Não sabia se olhava para os acessórios, se buscava detalhes nas peças de vestuário, se percebia a energia, a tela ou o espaço.



Tudo se funde e se confunde, tudo se soma, aqui sim a ordem dos fatores não altera o produto, ele já está pronto!
Ah! que bom seria se adotássemos as máscaras como parte do nosso outfit diário. Que máximo, que louco, que diferente!
Ao mesmo tempo que pareciam personagens saindo de filmes, parecia também uma simulação do futuro. Será que chegaremos a este ponto?
Ah! Eu quero viver para crer.

Bom… só poderia fazer uma coisa totalmente “sana” ao assistir tudo isso: sair da sala e pesquisar quem é o tal de “Javier”.
Olhem só o que eu encontrei:
“Javier Girón é o diretor criativo e fundador da marca de luxo JNORIG. Depois de se formar no famoso Instituto Europeo di Design (IED), rapidamente se juntou a Jeremy Scott, diretor criativo da Moschino, em Los Angeles. Aí, Javier destacou-se no desenvolvimento de vestuário, modelação e alfaiataria, contribuindo significativamente para as colecções apresentadas na Semana da Moda de Nova Iorque. O seu talento valeu-lhe o privilégio de desenhar para celebridades como Rihanna, Nicki Minaj e 2NE1.
Javier mudou-se então para Londres, onde colaborou com a Agi & Sam, conhecida por fundir a alfaiataria inglesa com a estética urbana contemporânea.
A coleção de estreia de Javier foi aclamada pela crítica, o que lhe permitiu participar na 080 Fashion Week e realizar uma exposição no Museu del Disseny de Barcelona. A exposição internacional de JNORIG cresceu, com convites para a Vancouver Fashion Week e o reconhecimento da elite do Dubai em Jumeirah Al Qasr e O Concept. Celebridades espanholas e latino-americanas, como J Balvin, Eva Gonzales, Jorge Lopez, Fran Berenguer, Destin Conrad, Jessica Goicoechea, Soraya, David Bisbal, Nona Sobo, Alejandro Speitzer e Albert Baró, abraçaram as suas criações.
Linhas de coleção
Coleção “Yūgen” de JNORIG AW25
“Yūgen é uma exploração profunda das dualidades da cultura japonesa, onde o visível e o oculto convergem num diálogo estético e filosófico. Inspirada pela noção de beleza profunda e complexidade subjacente, esta coleção presta homenagem ao Japão, abraçando tanto a sua luz como a sua sombra. Refletindo o espírito Kaizen – a procura constante de melhorias – cada peça funde técnicas digitais inovadoras com elementos tradicionais reinterpretados, estabelecendo um equilíbrio entre o moderno e o artesanal.
A coleção encontra a sua essência no conceito de giri (honra e obrigação), manifestando valores como a harmonia, o respeito e a segurança que definem a sociedade japonesa. Ao mesmo tempo, “Yūgen” não se coíbe de abordar os aspectos mais obscuros desta cultura, como as pressões sociais, o karoshi (morte por excesso de trabalho) e as hierarquias rígidas. Este contraste convida-nos a questionar ideias preconcebidas de perfeição e apela à empatia, tornando a coleção uma reflexão sobre os desafios inerentes à vida moderna.
O design de “Yūgen” revela uma narrativa única em cada peça de vestuário, prestando uma atenção cuidada aos detalhes internos e expondo-os para o exterior. Os tecidos são esticados e torcidos em determinadas zonas, como a cintura e a gola, criando uma sensação de contenção em contraste com a liberdade de movimentos das partes inferiores. Estas silhuetas evocam a estética e a filosofia dos quimonos japoneses, enquanto as camadas exteriores funcionam como máscaras ou armaduras, simbolizando a fachada que mostramos ao mundo. As transparências, por outro lado, revelam o corpo e o eu autêntico, eliminando barreiras e expondo a nossa essência mais pura.
A coleção explora também o conceito de “monstro belo” que reside em cada indivíduo, refletindo os conflitos interiores moldados pela sociedade. Este monstro, associado à serpente e ao louva-a-deus orquídea, representa um equilíbrio entre o perturbador e o belo. Os estampados, as contas e os acessórios captam esta dualidade, fundindo o fascinante e o perturbador em harmonia. Ao fazê-lo, “Yūgen” convida as pessoas a abraçar e a celebrar a sua complexidade interior como uma parte essencial e enriquecedora da sua identidade.
Como um todo, “Yūgen” é uma carta de amor ao Japão, uma terra de contrastes onde a serenidade e a tensão coexistem. A coleção procura não só captar a essência desta cultura, mas também provocar uma reflexão universal sobre o que significa ser humano.”
https://www.ifema.es/mbfw-madrid/disenadores/jnorig


Pronto e ponto final! Não é preciso dizer mais nada! Está tudo explicado! E eu já virei fã de carteirinha.
Yugen é o que habita em nós!